Na correria do nosso dia a dia, nos acostumamos a olhar e não ver.
As pessoas que nos cercam, as pessoas com as quais convivemos, a pessoa que nós somos.
Como muitos estão dizendo, estamos em uma fase em que as redes sociais nos dão diversos seguidores, seguimos diversas pessoas que admiramos, mas ficamos sozinhos ao lado de alguém real. A cena de duas pessoas em um restaurante, frente a frente, cada uma mergulhada no seu próprio celular, é um clássico da nossa época.
As doenças e transtornos de origem mental se proliferam, em um protesto físico de uma dor interior: a solidão.
Estresse, “burnout”, depressão, síndrome do pânico, ansiedade, suicídio…
Em torno do ano 2.000, muitas instituições financeiras mudaram de mãos. Vivenciei algumas compras e vendas, em ambos os papéis, mas uma delas foi especialmente traumática.
Eu estava em um cargo gerencial e a empresa foi comprada. O comprador fez o mapeamento dos ocupantes em eventos muito pomposos, para identificar as redes de relacionamentos gerenciais e executivas.
Lembro-me que ainda ficávamos inocentemente animados, achando que estavam focados em nos acolher.
Depois disso, lotes de ceifa dos ocupantes desses cargos ocorriam periodicamente, com uma precisão incrível.
O que tentavam aparentar ser ao acaso foi ficando cada vez mais visível. Estavam destruindo essas poderosas redes e separando alguns gatos pingados que, em tese, seriam temporariamente poupados.
Esses sobreviventes ficavam isolados e impotentes, totalmente submissos e “à mercê” daquilo que desconheciam, em território desconhecido. Eram colocados em posições e missões impossíveis, para deixá-los no maior desconforto possível. Humilhados. Neutralizados. Impossibilitados de serem quem eram.
Passei por isso. Fui neutralizada por uns dois ou três lotes, até que veio o lote misericordioso que me ceifou.
Tive depressão, passei por especialistas, tomei remédios, fiz análises, tudo isso.
E o mundo seguiu seu curso. Tudo ocorreu somente dentro de mim.
*
Um rapaz caiu nas teias de agiotas, devido ao uso de drogas e bebidas.
Pediu dinheiro para a mãe, ela fez um empréstimo consignado, e ele nunca a pagou.
Socou a mulher por estar chapado e fora de si, foi parar na delegacia e depois na cadeia.
A mãe dele entrou em pânico. O pai não podia ficar sabendo. Ninguém podia ficar sabendo.
Ela entrou em crise profunda.
*
Havia um menino com uma mochila nas costas, que dava voltas e mais voltas pela Praça dos Loucos em um domingo.
O nome da praça é sugestivo e, talvez, ele se sentisse no lugar certo naquele momento.
Ninguém lhe deu atenção. Era mais um louco.
No dia seguinte, logo cedo, encontraram o menino enforcado em uma árvore da praça. A mochila intacta.
*
Não tema rótulos.
Não dê ouvidos a quem acha que você exagera.
Não negue os sinais do seu corpo.
Não faça de conta que não está acontecendo.
Deixe de lado o orgulho, a preguiça e o vitimismo.
Procure ajuda.
Use toda a rede de apoio que puder.
Vá a um médico especialista.
Com ajuda, é possível vencer.
Use toda a sua coragem, a sua fé e a sua determinação.
Ame-se e lute ferozmente.
Respostas de 2
Estamos todos “bugados”
Certamente!