A “evolução” desta humanidade

Era um dia frio e chuvoso.

Caiu um raio bem pertinho de onde aquele grupo de pessoas se abrigava.

O clarão virou fogo em uma árvore.

A árvore estava tão perto deles, que foi impossível não sentir o calor agradável.

Mas a chuva caía e o fogo estava se apagando. Ficaram só olhando.

Em um ímpeto, como que para não deixar morrer aquela coisa luminosa e quente tão linda, um deles salvou um pedaço em um galho.

Trouxe esse galho para perto deles.

Nasceu a primeira fogueira.

Não queriam deixá-la morrer, então, instintivamente, colocaram nela mais galhos.

Quando resolveram salvá-la dentro da caverna que moravam, descobriram que também iluminava, além de aquecer.

Deram-lhe o nome de “fogo”.

Todos o alimentavam. Ele não podia morrer.

Ora um ora outro mexia nele, queimava a mão, mas não se cansava de olhar.

Estudaram e estudaram o que seria, tentando reproduzi-lo.

Muito tempo se passou.

Muitas tentativas ocorreram.

Ele se apagou.

Enquanto esperavam um novo raio que os presenteasse com o “fogo”, prosseguiram nas suas rústicas teorias e tentativas.

Um dia deu certo.

Comemoraram.

Sabiam fazer fogo.

Não precisavam mais de presentes dos céus.

Eram independentes.

Deduziram que, então, tudo o que havia no mundo era para eles e que eles também sabiam “inventar” coisas.

“Inventaram” coisas e mais coisas, que foram se acumulando em pilhas e mais pilhas de verdadeiro lixo. Elas foram se espalhando, com o movimento da terra, dos ventos e das chuvas.

Para isso, usaram e usaram de tudo, causando desequilíbrios no ar, na água, no solo, nos animais e nos vegetais.

O ar escureceu.

A água apodreceu.

O solo empobreceu.

Os animais morreram.

Os vegetais não nasceram mais.

A humanidade desapareceu.

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Sou Cilene Cicone

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