Vizinho novo. De novo. Não duram nem dois anos.
Que bom, esses até vieram falar conosco, trocamos telefones, pareciam legais.
Primeira semana: “Daria para vocês receberem um pacote para mim, depois eu pego?”. Não tínhamos motivo para negar uma gentileza simples como essa, dissemos que tudo bem.
Entregaram o pacote, que era uma caixa semelhante àquela que usam para uma lava-roupas bem grande.
Final da noite, quase virando para o dia seguinte, e nada do vizinho vir pegar a “caixinha” dele. Mandei mensagem, e a resposta foi: “Está atrapalhando?”
Sinceramente, o que você responderia?
Eu disse que sim, porque era muito grande. Então, vieram buscar, de cara meio amarrada, quase meia-noite.
Tudo bem, passou o episódio.
Segunda semana: trouxeram dois cachorros para a casa. Um, enorme e peludo. Outro, já quase morrendo, de tão velhinho e cambaleante.
E aí tudo começou. Xixi no meu portão. Coco na minha calçada. Isso nunca ocorreu, então começamos a prestar atenção. Descobrimos que eram do vizinho.
Abriam a porta da casa deles e soltavam os cachorros para o “banheiro público”. Depois, eles entravam, e largavam tudo nas calçadas. A casa deles, limpinha.
Parece mentira, não é mesmo? Depois de tantas campanhas de conscientização e Lei específica para impedir esse comportamento, isso ainda acontece.
Solução: falar com eles. A resposta? Vejam só: “Eles são cachorros de sítio, não fazem na porta de ninguém”.
Ué, mas no bairro só há calçadas, casas e ruas asfaltadas. Alguns canteiros com árvores, mas na porta de alguém, que também cuida do próprio canteiro e não quer xixi e coco neles.
Então, o Universo resolveu resolver o caso: cada vez que eles soltavam os cachorros, estávamos saindo de casa e dávamos de cara com a cena. Todas as vezes fomos falar com eles, que ficavam do lado de dentro do portão, esperando os cachorros voltarem. Pedimos que recolhessem os cocos e que cuidassem para que não fizessem xixi nos portões, porque iam enferrujar todos! Fizeram “cara de paisagem”.
Nos dias posteriores, não olhavam mais para as nossas caras, na esperança de que não reclamássemos mais. E os cachorros continuam fazendo cocos e xixis nas calçadas e portões, mas eles agora cuidam para não fazerem no nosso portão e nossa calçada.
O que pensar disso? Para mim, os tutores são incríveis irresponsáveis sem noção. Os cachorros só seguem a vida deles.