Acordo às 5h30min todos os dias. Abro os olhos e fico na esperança de estar ainda no meio da noite, mas o despertador do celular toca de novo. Não adianta colocar no “Soneca”, porque ele sempre acorda novamente e me desperta.
O bebê ainda nem acordou, mas terei que fazer isso com ele. É preciso sair para o trabalho. Eu e meu marido. Aliás, ele já acordou também.
Então, vamos à luta!
Levantar da cama. Acordar o bebê. Trocar a frauda e a roupa dele. Dar mamadeira. Rezar para ele estar calmo e me deixar tomar o café da manhã sossegada, ou ao menos tomar o café da manhã. Deixar o marido cuidando do bebê por alguns instantes.
Correr para o banheiro e fazer o que é necessário.
Depois, maquiagem, terninho, sapatos, acessórios, bebê e suas tralhas, beijo no marido, carro.
Dirigir até o Berçário e deixar o meu pacotinho mais precioso! Coração apertado. Cabeça repleta da agenda do dia. Nem dá tempo de refletir em nada, só de seguir a vida. Prosseguir a viagem diária, agora até o trabalho. Mais de duas horas depois, de pura insanidade, chegar no trabalho e obedecer a minha agenda do dia.
Final do expediente, voltar para o carro. Mais de duas horas depois, chegar no Berçário, pegar meu “pacotinho mais precioso” e seguir para casa.
Chegar em casa, trocar a frauda e a roupa do bebê. Dar mamadeira. Rezar para ele estar calmo e me deixar jantar sossegada, ou ao menos jantar. Meu marido já chegou também. Deixá-lo cuidando do bebê por alguns instantes.
Correr para o banheiro e fazer o que é necessário.
Depois, “demaquiagem”, pijama, chinelos, retirada dos acessórios, bebê no berço, beijo no marido, cama.
Esse é o “looping” diário, durante a semana de trabalho, apenas com pequenas variações no meio dele.
Muitas décadas já se passaram desde então…
Hoje, o tempo não tem mais nenhum poder sobre mim, apenas sobre o amadurecimento do meu corpo. Dane-se o despertador do celular e todas as suas “Sonecas” inúteis. Durmo se quero dormir e acordo se quero acordar. Não tenho agenda e vivo o puro improviso.