Incêndio na mata

O calor e a fumaça estavam sufocantes. Não bastava colocar um pano úmido no nariz, porque não dava conta.

Todos da aldeia estavam empenhados em terminar com aquele fogo, que tinha surgido inesperadamente naquele dia fervente. Só ouviram um estalo saindo do ar, então o fogo apareceu girando em um turbilhão e passando como um louco por aquela mata seca. Não havia o que fazer para evitar.

Não era a primeira vez que isso acontecia. O céu estava mandando seus recados seguidamente naquele ano.

Os habitantes da aldeia pegaram as suas “grandes folhas de árvores”, já separadas para isso, e se puseram a abafar os focos de fogo, corajosamente. Quem quisesse podia juntar-se ao grupo, porque a batalha era mesmo de todos.

Alguns ficaram para acolher os animais que começaram a aparecer no espaço aberto da aldeia, por ser um lugar livre do fogo. Eles vinham ofegantes, com os olhos assustados e o coração batendo tão aceleradamente, que era impossível não ouvir. Isso exigia uma forte conexão entre as almas viventes, sendo uma tarefa apenas para aqueles com preparo específico.

Não durou apenas alguns minutos, mas muitas horas. Era impossível prever como tudo acabaria. No entanto, ninguém fugiu, escondeu-se ou negou cooperação. O sentimento que pairava entre todos, além da tristeza quanto ao ocorrido, era o imenso amor que os unia, como se fossem um só.

Fogo, calor e fumaça, era tudo o que se podia ver com clareza. O que estava no meio disso era apenas um borrão indecifrável, que continuaria movendo-se freneticamente ou pararia para sempre a qualquer instante.

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