Depois de tanto esperar durante a semana, finalmente havia chegado o domingo.
“Domingo, pé de cachimbo, cachimbo é de ouro, bate no touro, o touro é valente, bate na gente, a gente é fraco, cai no buraco, o buraco é fundo, acabou-se o mundo!”
Invariavelmente todos os domingos “rezavam” juntos essa ladainha.
Seria uma música cuja melodia havia sido perdida?
Seria uma poesia de alguém que já não sabiam mais quem era?
Não importava nada disso.
Depois dessa brincadeira entre os dois, “partiu” para a casa dos nonos.
A simples visão daquele lugar já lhe trazia uma alegria indescritível.
Chegando no “casarão do quintal imenso”, pedia a benção da nona e do nono e corria para o meio das árvores e plantações de todos os tipos.
Uma vez todos juntos, colhiam de tudo.
A cenoura era tirada da terra (que só era sacudida) e já ia direto para a boca. Sabor inigualável.
Buquês de amendoim eram puxados de dentro da terra, e eles ficavam admirando as caixinhas perfeitas feitas por Deus. Só então eram abertas, e apreciavam “o milagre do amendoim”.
O café maduro colhido do pé, apertado dentro da boca, libertava o suco que pouca gente conhece.
Uva, laranja, mexerica, limão, jaboticaba, banana, quantas delícias uma terra fértil pode gerar.
Hoje, quando vai ao “casarão do quintal imenso”, desdenhado por todos da família, esperando alguém que o queira para ter uma vida feliz nas suas terras, seus olhos são inundados por lágrimas. A maioria dos seres humanos esquece muito facilmente a sua própria história, e não valoriza nem faz bom uso da sua ancestralidade. Vive partindo do zero, como se fosse apenas o vento soprando, sem raízes nem ramos. Como evoluiremos assim?