Olhar positivo

Ter um olhar positivo para a vida, atualmente, não é apenas necessário, mas também uma questão de “sobrevivência sadia”.

Se nos permitirmos ser como esponjas, o nosso ser não aguenta. É preciso criarmos o nosso próprio escudo de proteção, para nos mantermos pessoas ativas.

As notícias nos desafiam, as mudanças nos desafiam, a sobrecarga nos desafia, a exclusão nos desafia, enfim, tantas coisas. Digerir tudo isso todos os dias pode tornar-se muito indigesto, e começar a interferir na nossa capacidade de pensar, de sentir e de agir.

Um olhar positivo é um escudo eficaz.

Não significa que você deixou de tomar conhecimento, que se alienou.

Significa que você conhece e não participa. Porque escolhe não se envolver. Porque discorda. Simples assim.

É como uma rebelião pacífica, semelhante ao modelo de Gandhi.

Recentemente, assisti um documentário sobre as crianças refugiadas na Suécia, com “Síndrome de Resignação”, uma apatia que as leva a um estado semelhante ao coma, podendo durar muitos meses. É uma fuga da realidade com a qual elas não concordam e, por isso, não conseguem lidar. Dessa forma, teoricamente não sentem, ou sentem menos.

Isso levou-me a pensar sobre casos semelhantes.

Pessoas doentes ou idosas submetidas à dura realidade de serem depositadas em clínicas, asilos ou em casas de parentes, que pouco pensam no que elas estão sentindo, acabam apresentando um comportamento semelhante. Parece até que estão com demência ou coisa do gênero, quando, na verdade, estão lidando com a situação como podem, ou seja, ausentam-se para sentir menos.

Crianças, adolescentes, e até mesmo adultos, abandonados ou em lares pouco acolhedores, também polarizam seus comportamentos, tornando-se apáticos demais ou rebeldes demais. É como eles conseguem lidar com a situação, algo como uma ausência de quem seriam normalmente, para sentir menos.

Pessoas em situação de rua, sem o mínimo e básico que todos deveriam ter, rendem-se à realidade de que estão invisíveis para o mundo. Assim, fingem que estão ausentes também. Assumem o papel de desajustados, para sentir menos.

Esta lista pode crescer infinitamente, é só pensar um pouquinho mais. Talvez em casos até bem próximos, que nem nos damos conta. Alguém na nossa casa ou no nosso trabalho nos evita, porque gritamos ou criticamos demais. Elas se distanciam, para sentir menos.

O olhar positivo nos mantém presentes, mas não envolvidos. Conhecemos e não participamos. Optamos pelo melhor que nos cerca e rejeitamos o pior. Dessa forma, alimentamos o amor e enfraquecemos o desamor. É como uma higienização das energias que emitimos e que acabam por povoar tudo o que nos cerca.

Teste-o, e tire a sua própria conclusão. Você certamente se sentirá melhor. E o mundo, idem.

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Sou Cilene Cicone

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