Em uma fazenda havia dois tipos de ovos: da área da granja e da área do galinheiro. Todos eram ovos, embora com pequenas diferenças de origem e sabor.
Alguns clientes só gostavam dos ovos da granja, então falavam mal dos ovos do galinheiro. Que eram muito sujos, que ficavam no meio da palha, que a galinha comia porcarias, que a galinha ficava suja, e por aí afora.
O inverso também ocorria. Diziam que os ovos da granja eram sem graça, que eram limpinhos demais para serem bons ovos, que a galinha só comia ração, que a galinha não tinha sossego, e mais uma lista de coisas.
Um dia, o fazendeiro resolveu mudar os nomes das áreas: granja virou galinheiro e galinheiro virou granja.
Não mudou mais nada, apenas os rótulos, digamos assim.
Os clientes nem notaram nada, então continuaram a defender as suas preferências iniciais.
Nos bastidores, o cliente da granja virou cliente do galinheiro e o cliente do galinheiro virou cliente da granja, mas como ambos forneciam ovos, ninguém prestou atenção aos detalhes. Aliás, tantos detalhes que pareciam ser cruciais e que, na verdade, não faziam a real diferença, no fim das contas.
O fazendeiro achou muito engraçada aquela situação, e passou a fazer a troca ciclicamente, só para se divertir.
Os rótulos iam e vinham, e os clientes continuavam criticando o “oposto”, fosse o oposto que fosse, e, ainda, presos aos mesmos argumentos iniciais.
Assim, a briga entre os clientes nunca cessou.
Mas, para o fazendeiro, nunca nada mudou. Vou te dizer só uma coisa: pense nisso.